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Copa do Mundo de 2026 enfrenta clima de tensão com vistos negados, bloqueios migratórios e ingressos inflacionados

O clima de celebração esportiva da Copa do Mundo de 2026 divide espaço com polêmicas que vão muito além das quatro linhas. O torneio tem sido impactado diretamente pelas políticas internas e externas dos Estados Unidos, um dos países-sede, gerando entraves para delegações, torcedores e profissionais de arbitragem.

No âmbito diplomático, o conflito dos EUA com o Irã trouxe graves consequências para a seleção iraniana. Devido às restrições impostas por Washington, a delegação do país asiático enfrentou enorme desgaste, sendo inicialmente impedida de se hospedar em solo norte-americano para os jogos da fase de grupos.

A Fifa tentou intermediar o relaxamento de regras migratórias antes do torneio, mas encontrou resistência das autoridades locais. Por ter caráter apenas mediador, a entidade máxima do futebol não conseguiu evitar uma série de bloqueios na entrada de torcedores e profissionais credenciados.

A preparação do Irã foi severamente prejudicada pela demora na emissão de vistos, concedidos apenas às vésperas da competição. Além disso, dirigentes e membros da comissão técnica foram impedidos de viajar, e o grupo precisou fixar sua base em Tijuana, no México, após ser vetado de se hospedar no Arizona. Apenas após negociações de última hora, o governo dos EUA liberou o pernoite dos atletas no país na véspera das partidas.

Torcedores iranianos também relataram dificuldades extremas, incluindo o cancelamento repentino de ingressos já adquiridos dias antes do início do torneio mundial.

Outras delegações do Oriente Médio sofreram com o rigor da imigração americana. O atacante iraquiano Aymen Hussein, principal destaque de sua seleção, ficou retido por horas no aeroporto de Chicago para interrogatório e teve suas informações de celular vistoriadas. Na mesma delegação, o fotógrafo Talal Salah foi impedido de entrar no país após passar dez horas detido na alfândega.

A rigidez migratória fez ainda uma vítima histórica no corpo de arbitragem. Omar Abdulkadir Artan, que seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo, foi barrado ao desembarcar em Miami. Considerado inadmissível por supostos problemas na checagem de antecedentes, o juiz credenciado pela Fifa teve sua participação inviabilizada, fato que a federação internacional lamentou publicamente.

Além das tensões geopolíticas, o bolso dos torcedores tem sido outro ponto de forte insatisfação. Esta edição da Copa do Mundo é apontada como uma das mais caras da história, com entradas para a grande final variando entre US$ 2 mil e US$ 7,8 mil — valores significativamente superiores aos praticados na final do Catar, em 2022.

Embora bilhetes mais acessíveis de US$ 60 tenham sido anunciados para a fase de grupos, a carga extremamente reduzida obrigou a maior parte do público a desembolsar até US$ 620 logo nas primeiras partidas. Para o mata-mata, os valores médios ultrapassam a marca dos US$ 3 mil, consolidando o torneio como um evento altamente excludente.

Foto: Daniel Cole

Fonte: Agência Brasil

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