Fifa: um em cada cinco ataques virtuais na Copa do Mundo foi racista
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) divulgou um relatório que analisou mais de 17 milhões de publicações em redes sociais durante a Copa do Mundo 2023‑2024. O estudo identificou 240 676 mensagens consideradas ofensivas, das quais aproximadamente 20 % continham conteúdo racista.
A pesquisa foi realizada entre 9 de junho e 20 de julho, abrangendo as plataformas X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. Foram monitoradas contas oficiais das 48 seleções participantes e de 1 606 pessoas vinculadas ao evento: 1 248 atletas, 188 treinadores ou membros da comissão técnica e 170 árbitros.
Das mensagens ofensivas, 812 indivíduos foram alvos de ataques, representando 50,6 % dos perfis monitorados. Todas as 477 217 publicações que passaram por revisão humana foram previamente sinalizadas por um sistema de inteligência artificial do serviço de proteção da FIFA, que também bloqueou automaticamente 9,2 milhões de postagens (15 % do total de 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas da FIFA e das seleções).
Um atleta, cujo nome não foi divulgado, recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas, das quais 40 % eram racistas. O mesmo jogador foi alvo de mensagens homofóbicas, sexistas e transfóbicas. O volume de ataques aumentou após a circulação de comentários de caráter racial feitos por uma figura pública.
O relatório também registrou que 15 % das publicações revisadas continham alegações de corrupção, predominantemente direcionadas à própria FIFA, e que 14 % apresentavam ameaças violentas, com maior incidência após a vitória da Noruega sobre o Brasil por 2 a 1 nas oitavas de final. Além disso, 12 % das mensagens continham ataques xenofóbicos.
Em termos de frequência, a seleção da França foi a mais afetada por ofensas, especialmente de natureza racial (33 % das mensagens ofensivas). Na Inglaterra, ofensas racistas e xenofóbicas combinadas correspondem a 21 % do total, refletindo críticas à composição multicultural das equipes.
A FIFA ressaltou, no Dia Mundial da Saúde Mental, o compromisso da organização em proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio, utilizando tecnologias avançadas para a detecção e mitigação desses conteúdos.
Divulgação/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
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