Campanha pede à Fifa Copa do Mundo sem publicidade de refrigerante
A Copa do Mundo está prestes a chegar ao fim, com a última partida agendada para o próximo domingo. No entanto, uma campanha liderada por ativistas está pressionando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a rever os contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas. A campanha, intitulada “Tirem o Refrigerante de Campo”, tem como objetivo impedir que a Fifa continue aceitando patrocínios de empresas que produzem bebidas açucaradas, como a Coca-Cola.
A preocupação dos ativistas é a ligação entre o consumo de bebidas açucaradas e condições de saúde, como obesidade, diabetes e outras doenças. De acordo com a campanha, para cada aumento de 250 mililitros na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce 12%, o de diabetes tipo 2 sobe 19% e o de mortalidade por causas cardiovasculares fica 13% mais alto. Além disso, o risco de mortalidade por todas as causas aumenta 5%.
A campanha é apoiada por mais de 100 organizações da sociedade civil de vários países, incluindo o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável, do Brasil. Até a tarde de terça-feira, cerca de 720 mil pessoas haviam apoiado a iniciativa.
As entidades enviaram uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino, expressando preocupação com a prática de “esportswashing”, que se refere à associação de marcas de refrigerante com esportes e bem-estar. A carta afirma que, durante o torneio de 2026, até 6 bilhões de torcedores, muitos deles crianças, verão campanhas publicitárias que associam as maiores estrelas do futebol a bebidas açucaradas ligadas à obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças relacionadas à alimentação.
A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, afirmou que a publicidade de marcas de refrigerante pode causar consequências profundas em crianças e adolescentes, moldando um comportamento de consumo alimentar que não é saudável e pode gerar impacto na saúde a curto, médio e longo prazos.
A campanha lembra que a indústria do tabaco já enfrentou pressão semelhante e deixou de ser aceita como patrocinadora de eventos esportivos. A Fórmula 1, por exemplo, passou a deixar de lado o protagonismo que companhias de tabaco tinham nas décadas de 1990 e 2000. Os ativistas esperam que a Fifa siga o mesmo caminho e revogue os contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas.
Foto: tiremorefrigerantedecampo/Instagram
Fonte: Agência Brasil
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